Ao avaliar um carro usado, a quilometragem, conservação e o preço costumam ser os pontos de maior atenção. No entanto, existe outra informação capaz de revelar muito sobre a procedência do veículo: a identificação do chassi.
Quando se fala em remarcação de chassi não significa necessariamente que houve uma fraude ou que o automóvel não pode circular, tendo em vista que isso pode ocorrer de maneira regular. O principal é entender por que ela aconteceu e se o procedimento foi de fato autorizado.
Continue a leitura para entender melhor sobre o assunto!
O que é remarcação de chassi?
O chassi possui o VIN (Vehicle Identification Number), código utilizado para identificar o veículo. Pelas regras atuais do CONTRAN, o VIN possui 17 caracteres e funciona como um tipo de identidade do automóvel.
A remarcação de chassi, chamada de regravação, pode acontecer por diferentes razões, como:
- quando a numeração original fica ilegível ou comprometida
- em caso de acidentes, deterioração e intervenções na estrutura do carro.
O Detran também prevê o procedimento em situações de corrosão, roubo ou furto com danos à identificação original. Portanto, remarcação e adulteração não são sinônimos.
Chassi remarcado é permitido?
Sim, desde que siga as regras estabelecidas pelos órgãos de trânsito.
A Resolução CONTRAN nº 968/2022 determina que a regravação depende de autorização prévia do órgão de trânsito competente, com justificativa e comprovação da propriedade e da originalidade do veículo e de seus componentes. O serviço deve ser feito por empresas credenciadas.
A norma também estabelece critérios técnicos para a gravação. Entre eles, está a utilização do caractere “R” na identificação regravada. Ou seja, encontrar uma remarcação não deve encerrar a análise do carro, mas abrir à pergunta: qual é a origem dessa remarcação?
Como identificar se o chassi foi remarcado?
Para o comprador comum, nem sempre é possível visualizar sozinho se uma gravação é original, regular ou adulterada. Por isso, vale se atentar a alguns fatores:
Primeiro, localize a numeração e a compare com as informações registradas na documentação e no histórico do automóvel. Observe também se existem divergências entre os elementos identificadores.
Alterações incomuns na região da gravação — como intervenções na superfície, sinais de reparos ou características diferentes do padrão esperado — merecem investigação profissional.
Isso é especialmente importante porque fabricantes e importadores fornecem aos órgãos de trânsito dados sobre localização, tipografia e padrões dos identificadores de seus veículos, permitindo análises técnicas mais precisas.
Remarcação regular é diferente de adulteração
Uma regravação regular passa pelo procedimento previsto pelos órgãos de trânsito. Já modificar, remarcar ou suprimir identificadores de um carro sem autorização do órgão competente pode configurar crime, conforme o artigo 311 do Código Penal.
Dessa forma, apenas olhar para os caracteres gravados no veículo não é suficiente.
Vai comprar um usado? Investigue além da aparência!
Um chassi remarcado não quer dizer que você precisa desistir da compra, mas é importante entender o histórico do veículo.
Então, antes de fechar negócio, é essencial conferir a documentação completa, fazer uma consulta veicular para verificar se há registros de roubo ou furto, sinistros, leilão, restrições e outras ocorrências relevantes.
No mercado de usados, um carro aparentemente bem conservado nem sempre conta toda a sua história. Quanto mais informações você tiver, mais segurança terá para decidir se aquela compra realmente vale a pena.
Esperamos que esse conteúdo seja útil para você!